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Nova Zelândia

 

Histórico
A apreciação de vinhos finos era totalmente desconhecida na Nova Zelândia, e os novos produtores adiantados estavam concentrados na produção de larga escala. Os primeiros vinhedos, estabelecidos em 1835, produziam vinhos que eram utilizados para "matar a sede" das tropas britânicas, e até a metade do século XX, as aspirações da indústria eram correspondentemente modestas.

O crescimento aparentemente paralelo entre a população e o desenvolvimento dos vinhedos, aconteceu progressivamente de norte a sul. No século XX, a indústria se desenvolveu primeiramente na Ilha Norte, ao redor de Auckland, centro onde se encontra um terço da população. Entre 1960-70 cresceu rapidamente para o sudeste, em Gisborne, e então mais ao sul na região de Hawke´s Bay. Em 1973 os primeiros vinhedos foram plantados em Marlborough na Ilha Sul, e por volta de 1990, esta região mais ao norte tinha-se transformado (e continua sendo) o maior produtor e a principal região da nação. A experimentação em regiões mais frias e mais ao sul continua na Ilha Sul até Canterbury e mesmo Otago, onde encontramos os vinhedos mais ao sul do mundo.

O governo e as políticas sociais afetaram profundamente a indústria de vinho da Nova Zelândia. O movimento "Temperance" entre 1910-1919 limitou a expansão, como aconteceu na depressão econômica dos anos 1930. Mas em 1958 o governo moveu-se para restringir a importação de vinhos e de destilados. Isto garantiu aos produtores locais um mercado estável e permitiu o forte crescimento.

Em 1981, o acordo das relações econômicas expandiu o comércio com a Austrália eliminando tarifas entre os dois países. Isto forçou os winemakers da Nova Zelândia a competir com uma indústria muito maior (dez vezes). A produção da Nova Zelândia cresceu extraordinariamente até 1983. A expansão dos vinhedos, os grandes rendimentos e os preços baixos fizeram com que muitos produtores iniciassem uma nova produção. Em 1986 o governo ordenou que um quarto de todas as videiras fosse arrancado para estabilizar o mercado. A maioria dessas videiras era de produção elevada e as variedades utilizadas para vinhos inferiores. Hoje, os novos vinhedos proliferam outra vez em menor quantidade, enquanto o processo combinado entre terroir e varietal se torna cada vez mais bem sucedido.

Os hectares de vinhedos da Nova Zelândia tiveram um crescimento muito grande, mais que o dobro, nos anos 90, passando de 4.880 para 13.000 hectares em 2000, e continuam a crescer. Enquanto a demanda doméstica permaneceu mais ou menos idêntica, o interesse internacional elevou o crescimento da exportação no mesmo período, com mais de 20 milhões de litros vendidos no exterior em 2000. O número de vinícolas quase triplicou, de 131 em 1991 para 358 em 2000, o volume da exportação aumentou quase cinco vezes, de 4 milhões de litros em 1990 para 19,2 milhões de litros em 2000. E o fenômeno não mostra nenhum sinal de diminuir, porque os lucros reinvestidos resultam em vinhos sempre melhores.

O Clima
Embora a Nova Zelândia tenha um número de micro-climas e uma grande variedade de tipos de solo, é geralmente um país fresco com precipitação abundante. Historicamente, muitos vinhedos foram plantados em locais com drenagem inadequada e solos extremamente férteis. Estes, junto com as temperaturas e variedades impróprias, contribuíram ao desenvolvimento de fungos, do míldio e da filoxera, agora controlados na maior parte dos vinhedos replantados.

O desafio mais comum em vinhedos da Nova Zelândia, entretanto, sempre foi o crescimento rápido da folhagem, tendo por resultado uvas que não amadurecem à perfeição. Hoje a ciência tem desenvolvido programas extensivos de controle do crescimento da folhagem e da poda que reduzem este problema permitindo que os winemakers façam vinhos com bom frescor, altamente aromáticos e que exprimam o caráter varietal.

Como em outras regiões produtoras do mundo a última palavra em técnicas de vinificação ainda é a tradição. Colheita manual, pré e pós-maceração e fermentação parcial com todas as uvas são utilizadas na pesquisa do caráter varietal. A fermentação e o envelhecimento nas barricas (carvalho francês e americano) também são populares para Chardonnay e vinhos tintos.

Para os vinhos brancos, a fermentação a frio é a regra, com alguns vinhos que são envelhecidos em barricas ou em "assemblage" para desenvolver uma complexidade maior. A fermentação e o amadurecimento nas barricas de carvalho em contato com as cascas (skin contact, sur lie) são usados para um estilo "mais maduro" de Sauvignon Blanc e Chardonnay, particularmente nas regiões do norte, onde o corte com o Sémillon é usado também para realçar a complexidade. Os mais famosos Sauvignon Blanc não passam em contato com barricas de carvalho para preservar seus aromas "limpos" e muito intensos.

As Variedades
Praticamente três quartos dos vinhos da Nova Zelândia são de uvas brancas, predominantemente varietais franceses, com algumas uvas alemãs. O Chardonnay é o vinho branco mais produzido, seguido pelo recém famoso Sauvignon Blanc, embora estas posições possam ser invertidas num futuro próximo. O Muller-Thurgau, Riesling e um pouco de Gewürztraminer, Pinot Gris, e Sémillon são outras variedades brancas presentes.

Para os tintos, a Pinot Noir é a variedade mais importante, que produz um grande número de vinhos e é a onda do futuro, projetada para ganhar o mesmo tipo da atenção para Nova Zelândia assim como a Shiraz fez na Austrália. Em volume e importância a Pinot Noir é seguida por Merlot e Cabernet Sauvignon. Os novos vinhedos de Syrah, de Malbec, de Cabernet Franc e mesmo de Zinfandel e Pinotage serão mais opções no futuro.

A situação referente às uvas nas duas ilhas:

ILHA NORTE
Auckland
- Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Muller-Thurgau
Gisbourne - Chardonnay, Müller-Thurgau, Gewürztraminer
Hawke's Bay - Chardonnay, Cabernet Sauvignon, Merlot, Sauvignon Blanc, Müller-Thurgau
Wellington (Martinborough) - Pinot Noir, Chardonnay, Riesling

ILHA SUL
Marlborough - Sauvignon Blanc, Chardonnay, Pinot Noir, Müller-Thurgau, Merlot, Riesling
Nelson - Chardonnay, Sauvignon Blanc, Pinot Noir, Riesling
Waipara - Pinot Noir, Sauvignon Blanc, Chardonnay
Canterbury (ao redor de Christchurch) - Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling, Pinot Noir
Central Otago - Pinot Noir, Gewürztraminer, Riesling

Classificações
Os rótulos dos vinhos da Nova Zelândia são regulamentados pelo bureau Fair Trading Act and the Food Act, ambos proíbem indicações enganadoras, por exemplo, indicação geográfica. A criação das indicações geográficas em 1994, que ainda hoje não foi executada, eventualmente delineará e atribuirá nomes às sub-regiões vinícolas e regulará também o uso destes nomes em rótulos de vinho.

Atualmente, se uma única variedade de uva for mencionada no rótulo de um vinho, essa variedade deve estar presente com 85% do total para ser vendido nos Estados Unidos ou no Reino Unido; na Nova Zelândia, apenas 75% é requerido. Quando mais de uma variedade é mencionada, as variedades devem ser listadas em ordem decrescente de proporção. Se vendido em países da União Européia ou nos Estados Unidos, o vinho deve ser 100% verdadeiro às variedades indicadas. Os vinhos de mesa da Nova Zelândia podem conter o teor de álcool de até 15%.

As regiões
ILHA NORTE
No geral esta área do norte (mais perto do equador) tende a produzir umas versões mais maduras, mais macias e menos ácidas de todos os varietais.

Gisborne
No lado oriental da Ilha Norte, tem o luxo de uma identidade dupla: mais que um terço do vinho produzido no país é daqui, a maioria vinhos para o dia-a-dia. Mas Gisborne produz também vinhos finos, reivindicando o título de capital do Chardonnay da Nova Zelândia, onde os maiores produtores do país e as vinícolas "boutique" vinificam distintos Chardonnay "premium". Estes vinhos são conhecidos pelos sabores encantadores de pêssego, abacaxi e melão e um bom frescor que os faz excelentes acompanhantes para diversos pratos.

Hawke´s Bay
Hawke´s Bay é uma histórica região produtora de vinhos localizada perto do centro oriental da Ilha Norte com 28% dos vinhedos do país e freqüentemente é a região mais quente do país. Chardonnay é seu varietal mais importante, seguido pelo Müller-Thurgau, Cabernet Sauvignon, Sauvignon Blanc e Merlot. O Chardonnay de Hawke´s Bay tem aromas e sabores fortes de frutas cítricas de grande elegância. O Sauvignon Blanc da área tem freqüentemente aromas de nectarina e é mais macio e menos pungente do que o de Marlborough, o mais famoso Sauvignon Blanc.
Os tintos de Hawke´s Bay são produzidos ao estilo de Bordeaux. O Cabernet Sauvignon, é "cortado", às vezes, com o Cabernet Franc ou o Merlot, e revelam aromas e sabores de cassis, freqüentemente têm um caráter ligeiramente herbáceo e mostram notas de carvalho devido ao envelhecimento. Hawke´s Bay é considerada a capital do Merlot da Nova Zelândia, e embora o Merlot seja produzido em quantidades menores do que Cabernet Sauvignon, estes vinhos também são envelhecidos em carvalho e conhecidos pela estrutura firme, assim como pelas notas herbáceas.

Auckland
Como berço da indústria de vinho da Nova Zelândia, Auckland tem feito um esforço durante anos para encontrar varietais finos que se encaixem com perfeição a seu clima morno e úmido. Como centro da população, supervisiona o comércio maciço de vinho, na maior parte vinificando e fazendo o "assemblage" de vinhos de outras regiões da Nova Zelândia. Recentemente, entretanto, os empreendedores com novos vinhedos nas regiões de Waiheke Island e Matakana, em Auckland, produziram elegantes Cabernet Sauvignon, Merlot e outros varietais de Bordeaux e também uma pequena quantidade de Pinot Noir. Estas variedades parecem amadurecer bem e mostrar grande potencial nessas regiões. E os Chardonnays da área recentemente desenvolvida perto do rio Kumeu mostra suntuosos aromas varietais; seu estilo tipicamente rico é equilibrado com um toque vívido de limão e são considerados entre os melhores do país.

Wellington
Através do estreito de Cook na Ilha Norte, Wellington, ao redor da cidade de Martinborough, possui um clima fresco, outonos secos e longos e solos formados por cascalho - todas as exigências da "difícil" Pinot Noir. Os vinhos desta área rivalizam com os mais finos Pinot Noir, e sua acidez refrescante confere o potencial para um envelhecimento maior. Wellington produz também alguns vinhos botritizados com as uvas Riesling, que podem ser muito finos.

ILHA SUL
Marlborough
Embora relativamente nova como região produtora, tem o maior número de hectares plantados com videiras da Nova Zelândia, com mais de 4.500 hectares; seus primeiros vinhedos foram plantados em 1973 e agora são mais do que 40% de toda a área de vinhedos da Nova Zelândia. Este longo e calmo vale na extremidade norte da Ilha Sul contém uma grande variedade de tipos de solo, de baixa fertilidade e de boa drenagem, que permitem aos winemakers produzir vinhos finos em uma grande variedade de estilos.

Os Sauvignon Blanc de Marlborough apareceram no cenário internacional do vinho em 1985 com um frescor, complexidade e "finesse" surpreendente, o que atraiu a atenção dos consumidores. Hoje o Sauvignon Blanc é o varietal mais plantado, mostrando os sabores tropicais da fruta e notas herbáceas que vieram representar o estilo nacional.

O Chardonnay, segundo varietal mais popular de Marlborough, é produzido em um grande número de estilos, incluindo espumantes. Como o Sauvignon Blanc mostra aromas tropicais e acidez relativamente elevada, é raramente envelhecido no carvalho. A Riesling também prospera aqui e pode produzir tanto vinhos secos e finos como ricos e saborosos vinhos de dessert. A onda do futuro deve ser encontrada nos vinhedos mais novos de Marlborough, onde a Pinot Noir está fazendo história com vinhos envelhecidos em carvalho, de estrutura fina e balanceada, com sabores frutados e macios lembrando um Bourgogne novo.

Otago
Produtores de Otago, região mais ao sul do mundo, têm que contar com o único clima continental (melhor que marítimo) do país. Eles maximizam as horas de sol e minimizam o perigo da geada plantando vinhedos nas encostas, raridade na Nova Zelândia. Por causa da sua posição geográfica periférica, os vinhedos de Otago produzem rendimentos pequenos, mas seus vinhos podem oferecer grande concentração e caráter correspondente, particularmente em Pinot Noir e Gewürztraminer, que mostram a abundância de frescor. Os novos vinhedos estão sendo plantados mais rapidamente aqui do que em qualquer outra região da Nova Zelândia, e por um bom motivo: as uvas de Canterbury e de Otago produzem Pinot Noir elegante, tipicamente com sabores profundos de cereja preta e boa acidez.

Mapa do País
Setembro 2010